Lisboa de A a Z

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Figuras históricas

Figuras históricas de Lisboa são muitas as que cruzam a história e a cultura local com a dimensão nacional. Figuras populares, cujas profissões já desapareceram e os nomes são muitas vezes desconhecidos, fazem parte da memória coletiva, porque foram essenciais na vida e na cultura urbana. Daquelas cuja identidade é reconhecida, algumas foram determinantes, reconhecendo que há sempre muitas outras de grande relevância.

Marquês de Pombal sentado numa varanda com vista para a frente ribeirinha de Lisboa, com navios. Plantas da cidade e uma estátua por perto, transmitindo uma sensação de autoridade e planeamento.
Marquês de Pombal com Lisboa em pano de fundo, num retrato de Louis-Michel van Loo e Claude Joseph Vernet

Destaques

D. Afonso Henriques (c. 1106-1185)

Primeiro Rei de Portugal, conquistou Lisboa em 1147, mandou construir a Sé Catedral e deu à cidade os primeiros forais que definiram a governação e a organização económica e social: Foral aos Mouros Forros ou Livres (1170) e Foral da Cidade de Lisboa (1179). 

D. Dinis (1261-1325)

Foi o primeiro rei a nascer em Lisboa. Mandou construir a muralha na frente ribeirinha e instalou os Estudos Gerais (primeira universidade).

D. João I (1357-1433)

Lisboeta de nascimento e coração, este rei garantiu a independência de Portugal face ao reino de Castela, com o apoio do povo de Lisboa que o elegeu defensor e regedor do reino e o aclamou como rei de Portugal. Casou com Dona Filipa de Lencastre (princesa inglesa). Iniciou o processo de expansão marítima. Contribuiu para a organização dos mesteres (representantes das artes e ofícios) e assegurou a sua representação no governo da cidade.

D. Manuel I (1469-1521)

Ao longo do seu reinado, promoveu o comércio, a ciência e as viagens marítimas de Vasco da Gama (caminho marítimo para a Índia) e Pedro Álvares Cabral (chegada ao Brasil). Mandou construir o novo Palácio Real junto ao rio, virado para o Terreiro do Paço (atual Praça do Comércio) e o Mosteiro dos Jerónimos em Belém.

Damião de Góis (1502-1574)

Historiador e cronista, é uma figura de referência dos valores do humanismo. Autor de diversas obras, entre as quais Urbis Olisiponis descriptio (Descrição da Cidade de Lisboa), publicada em 1554.

Maria de Portugal (1521-1577)  

A Infanta Dona Maria, filha do rei D. Manuel I, era uma lisboeta de nascimento e coração. Uma das mulheres mais cultas do seu tempo, promoveu a literatura e as artes. Mandou construir a monumental Igreja de Nossa Senhora da Luz em Carnide.

Luís de Camões (c. 1524-1579)

Nasceu e morreu em Lisboa. Foi grande poeta lírico e dramático e autor do poema épico Os Lusíadas. É a figura evocada num dos principais monumentos da cidade.

Manuel da Maia (1677-1768) 

Engenheiro Mor do Reino, encarregado de coordenar o processo de reconstrução da cidade depois do terramoto de 1755.  

Marquês de Pombal (1699 – 1782) 

Sebastião José de Carvalho e Melo foi o grande obreiro da reconstrução de Lisboa depois do terramoto de 1755, concretizando o projeto de uma Cidade do Iluminismo, com expressão única na Baixa, que correntemente designamos Baixa Pombalina. É evocado num grandioso monumento escultórico. 

Eugénio dos Santos (1711-1760) 

Diretor da Casa do Risco das Obras Públicas e autor do Plano da Baixa implementado no século XVIII. 

Maria Severa Onofriana (1820-1846)

Fadista, nasceu no bairro da Madragoa e viveu na Mouraria. Uma das primeiras a contribuir para criar uma expressão artística, que se tornou indissociável da identidade de Lisboa e é hoje Património Imaterial da Humanidade.

Rosa Araújo (1840-1893) 

José Gregório da Rosa Araújo foi o Presidente da Câmara Municipal que promoveu a urbanização da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. 

Júlio de Castilho (1840-1919)  

Jornalista, poeta e olisipógrafo, representa bem os seus contemporâneos e sucessores nesta área de investigação e divulgação de Lisboa.

Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905)

Pintor, desenhador e ceramista, destacou-se sobretudo como humorista, criando a figura do “Zé povinho”, representação do povo português. Viveu no Chiado, onde faleceu.

Ressano Garcia (1846-1911)  

Frederico Ressano Garcia, engenheiro e urbanista, foi responsável pelo Plano das Avenidas Novas.  

Alfredo Keil (1850-1907)

Pintor, poeta e compositor, é o autor da música intitulada “A Portuguesa” que veio a tornar-se o Hino Nacional de Portugal.

José Relvas (1858-1929)

Proclamou a República na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa, no dia 5 de outubro de 1910, em representação do Diretório Republicano. 

Ventura Terra (1866-1019)  

Arquiteto e vereador republicano na Câmara Municipal de Lisboa desde 1908, projetou o Edifício do Parlamento e é autor de vários edifícios relevantes distinguidos com o Prémio Valmor.  

Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955)

Homem de negócios, colecionador de arte e filantrópico, nasceu na Arménia e viveu durante largos anos em Lisboa, onde veio a falecer. No seu testamento, determinou a criação de uma fundação com fins culturais, sociais e educativos (Fundação Calouste Gulbenkian), incluindo a notável coleção de arte, que integra o Museu Calouste Gulbenkian.

Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911)

Médica, feminista e republicana, foi a primeira mulher a votar em Portugal. 

Fernando Pessoa (1888-1935)

Nasceu, viveu e morreu em Lisboa. Figura maior da Literatura, o poeta está profundamente associado à projeção da imagem da cidade que evocou em tantas das suas obras.

Almada Negreiros (1893-1970)  

Pintor e escritor, é autor de obras de referência no espaço público lisboeta, com destaque para os célebres murais das Gares Marítimas de Lisboa. 

Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957)

Arquiteto e figura de referência no panorama da arquitetura moderna em Lisboa, é autor de projetos de edifícios emblemáticos como o Instituto Superior Técnico, a Estação do Cais do Sodré, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a Gare Marítima de Alcântara, a Cidade Universitária, a Biblioteca Nacional e o Hotel Ritz.

Amélia Rey Colaço (1898-1990)  

Natural de Lisboa, foi encenadora e atriz. Uma figura relevante da cultura da cidade e do País. 

Carlos Botelho (1899-1982)  

Pintor que mais interpretou Lisboa, com obras nas coleções dos principais museus, nomeadamente o Museu de Lisboa.

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992)

Pintora com obra de referência no contexto da pintura moderna, dá nome a um museu em Lisboa com exposição permanente dedicada à sua obra e do seu marido e exposições temporárias relacionadas com os seus colaboradores e com temáticas associadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) 

Poeta de referência, é autora de poemas que exprimem a própria cidade de Lisboa nas suas múltiplas facetas identitárias. 

Amália Rodrigues (1920-1999)  

Cantora, nasceu em Lisboa e notabilizou-se como fadista, dando voz a alguns dos mais belos e expressivos poemas sobre Lisboa. 

Natália Correia (1923 -1993)

Escritora, poeta e grande defensora da cultura e da liberdade de expressão, nasceu nos Açores (Ponta Delgada), mas foi em Lisboa que se desenrolou a sua vida e aqui faleceu. É autora de várias obras (poesia, ficção, teatro, ensaio). A sua memória está perpetuada no quarto com o seu nome, no Hotel Britânia, onde em 1969 escreveu a obra de dramaturgia intitulada O Encoberto, censurada pela Polícia Política.

Irisalva Moita (1924-2009)

Historiadora, arqueóloga e dinâmica conservadora dos museus de Lisboa, marcou a vida da cidade, revelando o património cultural e lutando pela sua salvaguarda, conhecimento e valorização. 

Mário Soares (1924-2017)

Lisboeta, foi político resistente à ditadura, oposicionista ao regime do Estado Novo. Esteve preso na cadeia do Aljube (atual Museu do Aljube – Resistência e Liberdade). Teve diversos cargos na governação do país e foi Presidente da República. A Fundação Mário Soares, uma instituição que criou, preserva o seu espólio documental, bem como o de várias outras figuras de referência da política e da cultura em Portugal.

Capitães de Abril (1974)

Os militares que na noite e dia 25 de abril de 1974 foram decisivos para o fim da ditadura e a implementação da democracia.

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